quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um pequeno conto! (Parte XVI)

Durante a declaração de guerra duas batalhas aconteceram em Nárnia sem que você, Caspian ou mesmo Arãn tivessem conhecimento. As primeiras vítimas foram feitas em ambos os lados, e uma nova esperança foi convocada pelo próprio Leão!
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Para entender a primeira batalha é preciso conhecer primeiro Mensis, o rapaz que estava escondido na sala e que saiu correndo no momento em que Tisroc Arãn, o rei calormano, desafiou Caspian. Mensis é o primogênito de Balian, rei da Arquelândia, e vive entre os nobres de Nárnia desde o segundo ano do reinado de Caspian. O rapaz permaneceu em Cair Paravel com Trumpkin durante a viagem em busca dos sete fidalgos.

Mensis tinha recebido o posto de cavalariço de Nárnia a pedido de seu pai, pois segundo o rei arquelandês, o rapaz tinha sangue quente e precisa aprender a divina arte da humildade e do respeito pelos de menor posto. Caspian o tratava como um irmão e é preciso dizer que o rapaz ficou enciumado quando você chegou a Nárnia, mas logo se tornaram amigos, principalmente quando percebeu que você não era uma daquelas garotas cheia de melindres.

Caspian não gostou de sua idéia de usá-lo como mensageiro, mas no fim teve de concordar, pois não havia em Nárnia cavaleiro mais veloz do que Mensis e, ao dar a ele posto de confiança, estaria reforçando os laços de amizade com Arquelândia. Então o rei se forçou a concorda em deixá-lo a postos ouvindo a conversa que culminou na declaração de guerra entre Nárnia e Calormânia.

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Quando se retirou da reunião, Mensis foi seguido por dois guardas calormanos que estavam postados a saída de Cair Paravel. Os soldados seguiram o rapaz até os limites do bosque e, não conseguindo alcançá-lo, chamaram reforços.

Mensis cavalgou o mais rápido que pôde ultrapassando os limites da floresta até chegar a clareira do Bosque, onde estava acontecendo uma assembléia de guerra. Era a mesma clareira que Caspian havia usado para reunir os narnianos e fazer frente a Miraz, o Usurpador.

Os narnianos estavam reunidos esperando apenas uma ordem para formar seus regimentos e partirem em direção a capital de Nárnia a espera de novas ordens. Até então Caspian ainda não havia deixado claro qual a participação dos narnianos na guerra, pois acreditava que era possível fazer paz com Arãn.

A assembléia era a coisa mais extraordinária que Mensis havia visto. Animais de todos os tipos estavam reunidos e falavam. Apesar da amizade entre os reinos, o príncipe arquelandês não tinha muito contato com os animais falantes, exceto uma ou duas vezes em que desobedeceu Caspian e fugiu para a floresta onde foi rapidamente repreendido por uma coruja na primeira vez, pois era noite e por um porco espinho na segunda vez, ao amanhecer.

Da reunião participavam também centauros, minotauros e faunos que batiam seus cascos excitados a espera da ordem real. Assim que avistaram Mensis, os centauros bradaram palavras de ordem e antecipação, mas antes que pudessem pegar em armas, dois guepardos foram atingidos por flechas.

Os soldados calormanos, que agora estavam em número de oito, conseguiram seguir os rastros de Mensis e estavam atirando. Insensatos, pensavam que lhe davam com animais comuns, nem sequer notaram os centauros e minotauros. Adentraram a clareira brandindo suas cimitarras, preparando seus arcos, gritando e acertando tudo o que se movesse.


Os faunos se adiantaram e, antes que arcos calormanos pudessem ser disparados novamente, fizeram frente aos soldados. Mais dez guardas chegaram e a clareira virou uma confusão só. Mensis se viu diante de uma batalha que, dependendo do resultado, poderia estragar o plano surpresa de Nárnia e impedir a chegada da ajuda arquelandesa.

O barulho de lâmina contra lâmina era ensurdecedor. O cheiro de suor animal e humano, misturado ao sangue revirava o estômago do jovem, que lutava bravamente com um soldado que parecia ter o dobro da idade do rapaz.

Mensis foi derrubado com um golpe na parte superior da coxa, mas antes que a lâmina calormana perfurasse o peito do príncipe, um terremoto se fez sentir, na realidade apenas um tremor secundário atingiu a clareira, nada que causasse estragos, mas foi o suficiente para tirar o equilíbrio dos calormanos que caíram. Os narnianos não perderam tempo e se amontoaram ao redor dos soldados dos quais Mensis só ouvia os gritos e depois o silêncio absoluto.

O rapaz foi levantado do chão por um centauro, mas não havia tempo a perder, ele não permitiu que o centauro examinasse a gravidade do corte. O príncipe arquelandês sabia da urgência do plano e que a vitória de Nárnia dependia, naquele momento, de sua rapidez. Ele então explicou o plano de Caspian e os narnianos se dividiram: um grupo formado por dois faunos, um centauro e três gatos partiu com Mensis em direção a Arquelândia.

O outro grupo maior em número (eram em média duzentos soldados narnianos, entre eles, lobos, anões ruivos e negros das montanhas, gatos, lobos, minotauros, faunos e toda sorte de animais falantes, além dos gigantes, que não se envolveram na batalha que acabara de acontecer por ordem dos centauros, pois podiam acabar esmagando os aliados) partiram em direção para uma colina ao lado direito das muralhas de Cair Paravel, longe da vista de Arãn. Lá se encontrariam com Caspian e receberiam suas ordens.

A comitiva que seguia junto a Mensis era destinada a pedir auxílio do rei Balian. O plano traçado por você era esse: ao confiar em Mensis uma missão tão importante, você depositou a esperança de que Arquelândia jamais abandonaria um amigo que deu a seu príncipe a missão de trazer a segurança de um povo sitiado, e não só isso, você estava mostrando que confiava em Mensis, diferente de todos os nobres arquelandeses e narnianos que eram de opinião que outro filho de Balian deveria assumir o trono da Arquelândia e não aquele rapaz impulsivo, desengonçado, arredio e sonso.

Os soldados narnianos faziam a segurança do príncipe, mostrando que Nárnia não o havia enviado a uma missão suicida e também asseguravam o retorno de Mensis a sua casa em segurança, pois nem você, Caspian ou Suzana queriam Mensis metido na guerra. E assim a comitiva partiu a galope, por uma trilha estreita amparada por uma montanha e com um abismo ao lado. Era a mesma trilha que séculos antes, um rapazinho chamado Shasta havia percorrido para pedir ajuda ao rei Edmundo e a rainha Lúcia, dois dos reis da Idade de Ouro de Nárnia, para salvar a Arquelândia de uma invasão calormana (essa história é contada no livro O Cavalo e seu Menino).

Agora a história estava invertida e era Nárnia que estava sitiada e você esperava que até o simbolismo do mesmo percurso percorrido por Shasta, e agora por Mensis, despertasse a generosidade no coração de Balian.

É preciso dizer que havia um certo rancor entre o rei Balian e Caspian. É verdade que Nárnia e Arquelândia eram reinos amigos e que Balian fora um dos grandes amigos de Caspian IX, mas o rei arquelandês nutria uma certa mágoa por Caspian, pois a rainha arquelandesa, quando mais nova, havia tido um interesse amoroso por Caspian, sentimento não correspondido é óbvio, que gerou um rancor enraizado em Balian e agora esse rancor poderia ser um ponto decisivo na guerra. Caspian estava apostando em se mostrar humilde e companheiro e esperava auxílio de Balian, que apesar dos ciúmes sempre foi um rei justo a estilo do Grande Rei Pedro, mas quando se trata de ciúmes os homens são imprevisíveis.

Assim que os dois grupos partiram as dríades sopraram o aviso para você durante a reunião.

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A outra batalha se travou no acampamento calormano. No momento em que Arãn zombou de Aslan, um terremoto atingiu o acampamento. Dois terços do exército calormano foi engolido pela terra. Um vento forte e ruidoso soprou contra as tendas e muitas se incendiaram. Parte dos suprimentos se perdeu nos inúmeros incêndios e muitos servos de Arãn morreram.


Mas o mais impressionante aconteceu na tenda de Arãn.



O incêndio mais violento aconteceu lá, provocado pelo tecido da tenda lançado pelo vento em direção as chamas das velas acessas no altar erguido para o deus Tash. A tenda pegou fogo, as concubinas do rei morreram no incêndio. Cerca de 20 quilos de ouro que seriam usados para financiar as despesas do exército simplesmente derreteram até se misturar a areia e perder seu valor e no lugar onde ficava o altar e a estátua de Tash estava apenas uma grande mancha escura na areia provocada pelos os objetos queimados. A mancha era a figura fiel do perfil de um imenso leão, o símbolo da bandeira de Nárnia.


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É dia, a guerra havia começado e você ainda não sabia de nada o que acontecera na noite passada. Mas sabia de uma coisa: no fundo do seu coração você sabia que Aslan não os havia abandonado que Arãn iria pagar pelos seus crimes, mas que isso não seria fácil. Os reis se enfrentariam, sangue inocente seria derramado, mas a ajuda viria do Oriente, de Além Mar...

... E em Londres um jovem era despertado em seu dormitório da universidade de Oxford por uma voz profunda que dizia: “Levante-se Grande Rei Pedro! Por mais uma vez você defenderá Nárnia!”


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Kamila Mendes

1 comentários:

Evy disse...

Que emocionante, Kami!! Como vc me para assim? Eu preciso saber o que vai acontecer..kkkk
Toda vez que eu leio algum capítulo da sua fic me sinto em Nárnia ♥
Parabéns, beeest!!