terça-feira, 1 de maio de 2012

Sobrecarga


Estava cansada, com profundas olheiras. Seu cabelo encaracolado e vermelho estava murcho e sem vida, refletindo o real estado de sua alma. Muita gente não acredita, mas um cabelo reflete a maneira como a pessoa se sente por dentro. E o cabelo de Melissa dizia isso: estou um lixo.

Mas não podia ficar na cama o dia todo, como era o que desejava. Levantou, prendeu o melhor que pode o cabelo. Lápiz negro nos olhos e um blush rosado devolveram um pouco de vida ao seu rosto. Batom vermelho, só porque era sua marca registrada.

Se vestiu foi ao colégio. Milhões de pensamentos, perguntas e dores rondavam sua mente. Todas elas refletidas nas finas linhas brancas de seu pulso. Marcas de desabafos silenciosos e dolorosos. Prova de que não estava morta por dentro. Prova do que precisava fazer pra se sentir viva. Percebeu que tocava as finas cicatrizes quando o novato perguntou o que teria causado a ela tanta dor. Com olhos arregalados, escondeu os pulsos em suas munhequeiras e voltou sua atenção a aula. Ao menos tentou.

Ficou pensando o que Renato teria visto e o que estava pensando: ‘Será que pensa que sou louca? Ou é apenas mais um que condena e não fala nada!’. A dor no peito aumentou, o menino era realmente lindo. Simpático, Renato acabara de mudar para a nova escola e ainda estava se adaptando. Com seu amplo sorriso havia cativado a todos, inclusive Melissa. 

Um garoto com grande potencial para ser popularidade que observava demais. Melissa puxou o capuz do moleton por cima da cabeça, colocou os óculos escuros e começou o ritual de se desprender do mundo. Selecionou a playlist mais deprê de seu Ipod e se enclausurou. Fazia isso tantas vezes que seus  professores desistiram de tentar algo. Nem mesmo seus pais apareciam quando eram chamados para responder sobre o comportamento estranho da menina.

Nem sempre ela foi assim. Melissa já foi a garota mais meiga e alegre que passou pela Escola Técnica de Ponta Grossa. Era popular, mas nem por isso era arrogante ou humilhava os outros. Pelo contrário, circulava com a mesma simpatia pelos demais grupos da escola, até o dia do acidente.

Continua...

Kamila Mendes

OBS: O texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40



9 comentários:

Evy Turner disse...

Como diz a minha prima "Já li, já gostei!" rs
Texto denso, bem elaborado..gostei kami! Ansiosa pela continuação.

Kamila Mendes disse...

manaaaaaaaaaaaa obrigada...eu nem precisei divulgar XD!!!

vai ter continuação sim, mana...dela e do Pequeno Conto!

Matheus disse...

- Você não vai resistir a presão psicólogica que farei em vc e ira me passar tudo mocinha. kkkkkkk... está muito legal *-* . Me lembrei de uma amiga minha. :x

Kamila Mendes disse...

vamos ver se não resisto Math..rsrsrsr

Matheus Gaudard disse...

Amo o estilo de escrita da Kamila... ♥
Tem já a continuação? Quero saber que acidente, e o que houve rum

Kamila Mendes disse...

aviso sim...assim que postar o segundo capítulo eu aviso Matheus!

Dri disse...

kamiiiiiiii como vc faz isso?
parar nesse suspense todo?...
eu amei essa primeira parte♥
avisa da continuação
ah e essa historia do cabelo é verdade?

Kamila Mendes disse...

sim, best...tenho uma amiga em particular q se ela está feliz o cabelo dela é viçoso e brilhante...quando está triste ele fica seco, com aparência de palha!

RafaSR disse...

Manaaa...
Vc nem imagina como isso me lembrou Fallen'... bem do estilo que eu amooo""
To louca pela continuação, nem preciso falar que amo seu jeito de escrever, né?
Parabéns mais uma vez
BJK