sexta-feira, 18 de maio de 2012

Não serei você



Me sinto perdida, quebrada em milhares de pedaços por não pensar como os outros, por não ver como os outros vêem. Forçada pelas ondas a engolir sentenças que matam quem sou de verdade!

Querendo me desconstruir, querendo me erguer, me fazer de novo, de uma forma que não sou, em uma forma para qual não fui moldada. Já tentei ser assim. Ignorar aquela que sou eu para o bem dos outros! Tentei lutar contra meus sonhos e aquilo que os impulsiona!

Tentei lembrar de como é não saber o que você quer e nem como chegar lá. Lembrei e me senti vazia e sem vida! 

Por anos, meses, dias ignorei meu sonho e dom (alguns o chamam assim). Abandonei ele e era como se já não fosse eu. Apenas uma casca vazia, sem essência. Já tentei explicar, cansei de explicar. Já gritei, já chorei

Já pedi de Deus pra mudar, pra me encaixar em padrões que pessoas dizem ser o padrão de Deus pra mim! Algumas coisas realmente precisam ser revistas. Mas outras, as que mais incomodam os demais, essas não!

Agora seguro lágrimas que já deveriam estar acostumadas a não se render tão fácil! Lágrimas por não me encaixar no meio que deveria me fazer sentir bem, mas é onde me sinto uma estranha!

Deus me fez uma criatura imaginativa capaz de criar mundos e seres extraordinários e nem por isso menos crente em seu Poder. Tenho plena certeza de que, se sou capaz de criar, é porque Ele me fez assim! Então para quê querer que eu mude? Para quê me sentir errada, me sentir mal por ser quem sou?

Fui formada, gerada dessa forma e o mais está sendo moldado, transformado em mim. Não serei você. Não vou me transformar em alguém, algo, que não sou. 

Não sou perfeita. Cansei de me julgar a certa. Não sou a mais bonita e nem exatamente a mais inteligente. Mas ser assim me faz única. Argumentos contrários, tentando me moldar a uma parcela da qual me sinto alienada não irão me transformar, apenas me machucar.

Tendo a olhar no espelho e sentir a rejeição interna de ser quem sou. Vejo os olhares zombeteiros e os julgamentos passados e presentes. Internalizo isso. Finjo um sorriso compassivo e uma falsa superioridade, mas quem me conhece sabe o quanto dói. Não vou me entregar. Não vou para de lutar. Apenas parei de argumentar. Me calei diante da opinião que quer me fazer engolir seu modo de vida. 

Vou seguir assim, com cabeça erguida e olhos no alto, esperando o meu dia chegar. Crendo que ele irá chegar. E talvez, mas só talvez, com ele venha o dia em que você irá olhar e pensar 'não deveria ter tentado mudar'. E nas dores que foram causadas pelo julgamento alheio, construo minha história, minha base para estar aqui, sempre que você precisar de mim!

Kamila Mendes

2 comentários:

Cris disse...

Amei demais esse texto manaa, mtooo profundooo mesmo, coisas da alma!!!

Kamila Mendes disse...

obrigada, mana...são desabafos da alma mesmo!