quinta-feira, 9 de maio de 2013

Querido Diário...

... Detesto folhas em branco, detesto espaços não preenchidos. Odeio vazios sem causas. Odeio a tristeza em mim. Vem se assomando como ondas que se quebram com violência sobre as rochas, prestes a explodir pelos olhos.

Ah, essa dor tão familiar e odiosa. Não entendo porque insiste em me assombrar!é a soma de todos meus pesadelos num só e a dor explode no peito, mas antes pulsa por minhas veias, irriga músculos e órgãos e vasa...escorre, sem, no entanto, me abandonar!

Essa triste presença preenche pouco a pouco o lugar onde só havia certeza e alegria. Onde? Quando me deixei contaminar?

Chega a ser complicado pensar, mas pensar é o único resquício de vida que me resta, a não ser o sonhar...

E sonhar tem se tornado difícil ultimamente...


Fechou abruptamente o pequeno caderno de capa de couro vermelho e escondeu embaixo do travesseiro. Jogou todo seu peso na cama e puxou o cobertor. Desligou o abajur minutos antes da porta se abrir. De olhos fechados ouviu o ranger do piso de madeira sob o peso dos pés. Sua cama afundou de um lado e sentiu um toque molhado e suave sobre sua testa.

- Dorme bem querida! Amanhã vai ser melhor!

A porta foi fechada com um suave clique da maçaneta. Sem nem perceber, pegou no sono logo após o beijo materno. Dormiu profundamente. Quem sabe o sono e os sonhos poderiam curar tanta dor? Ressoou baixinho e, ao menos durante a noite, a dor lhe deixou!

OBSO texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

2 comentários:

Ives disse...

Mãe não é simplesmente uma palavra, não é simplesmente uma pessoas; os adornos dourados, as cores vibrantes de sua alma, extravasam pelos olhos e reproduzem o único fio de esperança na Terra! Ensina os bons costumes baseados simplesmente no amor.
Felicidades, mãe!
abraços

Rosa Mattos disse...

oi Kamila, gostei do texto. Imaginei a cena e entendi perfeitamente como um carinho de mãe é capaz de empurrar para longe, toda as sombras que nublam a mente, em certos momentos.

Amiga, fiquei uns meses ausente, pois estava escrevendo meu terceiro livro. Desta vez, um romance sobrenatural entitulado Paredes Vivas.

Tem mais detalhes na postagem do meu blog.

beijos/parabéns pela inspiração.