segunda-feira, 13 de maio de 2013

Caixa de Sonhos

Colocou os sonhos numa caixa. Um por um os empacotou. Lacrou com fita adesiva e deixou-a esquecida no fundo do guarda-roupa. Os dias passaram e a pequena bailarina que sonhava em ser atriz, ou princesa, (quem sabe as duas coisas) cresceu!

As apresentações ficaram para trás As sapatilhas, dependuradas em um suporte na parede do quarto que já não é mais cor de rosa. As delicadas sandálias cor de pêssego e os laços no cabelo deram espaço aos tênis all star e a tinta azul. Com o tempo, os tênis surrados foram para lata de lixo, substituídos por saltos e bolsas de couro. A tinta azul foi substituída por longos cachos cor de mel (cor natural dela). E a caixa permaneceu lacrada.

Mas um dia, um inesperado dia, a vida bateu a porta. Ela se negou a aceitar. Fechou os olhos e quis fazer o mesmo com a porta! Correu como menina e se escondeu no quarto. Vida entrou, com passos lentos, caminhou até o quarto. Afagou os cachos cor de mel, com olhar doce e indagador.

A presença da vida trouxe uma única questão: o que fizestes com os sonhos?

Alarmada, viu a Vida se despedir e partir.

Com um solavanco, despertou. Olhou para o lado e nenhuma pista existia de que a Vida havia estado lá. Depois de uma ducha morna, misturada com espuma e lágrimas. Foi ao guarda-roupa. Na ânsia de achar um velho vestido, tropeçou em algo. Uma caixa empoeirada.

Tirou a caixa do fundo do guarda-roupa e retirou a fita adesiva que a lacrava. Com todo o cuidado observou os sonhos empacotados. Lembrou da visita da Vida e sorriu.

A partir daquele momento, todos os dias, visitava a caixa e a cada dia retirava um sonho de lá. As sapatilhas de balé não permaneceram por muito tempo na parede. Logo pezinhos novos lhes estavam calçando. Pezinhos que eram frutos de um sonho que fora desempacotado!

OBSO texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

2 comentários:

Evy disse...

Ai, Kami...no momento estou me sentindo assim, empacotando os meus sonhos..sei lá..parece que nada que eu quero acontece...
Mas vamos falar sobre o seu maravilhoso texto..Lindo!! Gosto tanto dos seus posts!
bjos

Quézia Moura disse...

Pois é... estou me sentindo exatamente como a Evy...
Mas, enfim, falando sobre o seu texto (rs) não tem nem o que falar, né. Lindo como sempre!! =D