sexta-feira, 15 de março de 2013

Uma dama suave e temperamental

E ela desce fininha em pingos delicados e transparentes, modificando a árida realidade do cotidiano tedioso. Desce em gostas frias e pequenas, refrescando e revelando sua beleza terna e gentil, mas, então, um vento forte vindo do norte sopra, mas parece gritar, com violência até agitar as nuvens, morada das gotas delicadas. O céu fica negro, as nuvens densas parecem não aguentar seu próprio peso e, então, sua estrutura gasosa se rompe em caos e destruição.

As gotas outrora delicadas, agora descem em profunda confusão e agonia. Machucam a terra onde caem, revolvendo o terreno onde se debatem contra o solo. O barulho tal qual milhões de vozes a soar é interrompido pelo poderoso estrondar do trovão.

E a fúria se revela. A natureza parece colapsar diante de olhos assustados. Já não são mais gotas a descer beijando rostos apaixonados e irrigando o solo necessitado. São agora cascatas violentas descendo e lutando contra qualquer obstáculo que interrompa seu fluxo terreno.

Arvores caem diante da força assombrosa dessa governante tirana, outrora delicada princesa. Lagos rompem seus limites, rios invadem cidades. A velocidade com que cobrem terra, asfalto, volvendo areia e levando carros é atordoante.

Casas submersas, famílias separadas. Tudo por que seu lar foi abalado.  Então o vento do sul vem com sua voz mansa e constante, lutando contra a brutalidade do Norte, lembrando a guerreira de como era bom ser doce e suave.

Ela se cala diante da majestade que se põe diante de si.  Acompanhando o Sul, a estrela brilhante, irradiando calor nasce. Se coloca a sua frente e confronta sua fúria. Diante do calor soberano e da calmaria que vem do sul, ela se cala.

A raiva se esvai, mas o dia continua cinza, apesar dos raios de calor. O dia cinza reflete seu humor: talvez culpa pela destruição, amargura pela dor, ou somente vergonha por ter esquecido quem era.
Suas gostas descem agora suave, porém grossas e doloridas, expressando sua dor... com o tempo diminuem e viram gentis pingos,  demonstrando seu amor e vontade de reconstruir o que devastou.

OBSO texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

1 comentários:

Evy disse...

Nada como uma chuvinha para nos inspirar :)
Kami, tem dois selinhos pra vc no meu blog

bosquedaleitura.blogspot.com/2013/03/SelinhoLiterario.html

bosquedaleitura.blogspot.com.br/2013/03/3-selinho.html

bjos!!