quarta-feira, 20 de março de 2013

Biscoito da Sorte


“As melhores coisas da vida vem quando estamos distraídos”

Ao ler essa frase, a vontade de Lídia era de gargalhar, segurou o riso, engoliu em seco a ironia que ameaçava escorrer de seus lábios e jogou fora o papel amassado. Maldito biscoito da sorte, não sei porque ainda me dou o trabalho de ler essas besteiras.

O dia não tinha começado nada bem. O chuveiro elétrico quebrara justo no dia mais frio do ano. A bateria descarregara a noite, impedindo-a de atender o telefonema da agência de emprego que tanto aguardava.  O cabelo desgrenhado, amassado era um reflexo de sua alma nos últimos dias.


Naquela manhã, decidira que não daria satisfação para ninguém. Colocou o celular, agora com a bateria carregada, no modo silencioso e quando bem decidisse o olharia para pensar se retornaria as ligações. Como se alguém fosse ligar, pensou.

Vestiu seu moletom surrado do Mickey Mouse, uma calça jeans velha, o all star que não via água e sabão desde que saíra da loja e saiu. Sem rumo caminhou por horas, até que a fome bateu à porta. Entrou na lanchonete oriental a qual ia na companhia do pai, há tanto tempo que nem conseguia lembrar que idade tinha. Almoçou e quebrou o biscoito da sorte servido por um garçom  Ao amassar o papel, saiu, mais uma vez sem rumo.

Enquanto aguardava o metrô, Lídia sentiu-se vigiada e, ao virar o rosto repentinamente, avistou um rapaz com rosto familiar. Ele caminhava de forma confiante  em sua direção. Chegando perto, Lídia percebeu que era o mesmo rapaz da lanchonete. Ficou admirada ao perceber o quão lindo era o sorriso dele e como seu rosto anguloso comportava um olhar seguro e cheio de si.

- Creio que você esqueceu esse papel. Talvez devesse acreditar um pouco mais em si mesma.
Olhando boquiaberta para o jovem, leu novamente o recadinho e sorriu. Talvez as coisas realmente aconteçam quando já não se espera nada da vida. Lídia pelo menos encontrou alguém que a fez sorrir.

OBSO texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

4 comentários:

Ives disse...

Olá! O inesperado esta sem expectativas e cheio de poesias novas! abraços

Evy disse...

Me identifiquei muito com o seu conto pq isso realmente acontece comigo..qndo eu deixo de querer ou me preocupar tanto com determinada coisa, ela simplesmente acontece...vai pq era a hora certa dela acontecer.
Mais um excelente conto pro portfólio da Kami rs
bjos

Kamila Raupp disse...

Ótimo texto amiga! Tu escreve muito!

Já pensou em escrever um livro?

Beijos, Kamila
http://www.vicio-de-leitura.com

Tulipa Vermelha disse...

ótimo texto, é bom qdo acontece o inesperado, são destes pequenos bons momentos que a vida é feita. bjs

http://eubipolarbuscandoapaz.blogspot.com.br/