quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Boca fechada não entra mosca


É muito comum ao ser humano ver outro sofrendo e querer ajudar. Mas na ânsia de se tornar útil, acaba ferindo ainda mais aquele que já chorava. Mesmo com toda boa vontade do mundo, nem sempre vamos conseguir ajudar os que precisam.


Chega a ser ridículo a frase mais dita no calor de um conselho: "Vai passar, não se preocupe. Pare de chorar, não aguento mais ver você assim!"  Mas, espera um pouco, achei que você estava ali pela pessoa e não por você. Não é porque não aguenta ver alguém sofrendo que essa pessoa deve esquecer sua própria dor.

Só entende a dor de alguém que já passou por ela.

Nunca chegue a alguém pra consolar apenas com base em seus desejos. Se você nunca passou pela situação, é melhor se manter calado. Se há algo em sua história que possa iluminar as trevas de alguém, então conte. Não precisa detalhar, as vezes o sofredor só precisa saber que alguém passou por aquilo e sobreviveu. As vezes, só um colo amigo basta.

Se você não sabe o que dizer, nunca passou por uma situação semelhante e suas ideias são baseadas naquela máxima "sofre quem quer, ou ele apenas quer chamar atenção", é melhor continuar quieto. Será mais útil intercedendo a distância, do que estando próximo e machucando.

Por que digo isso. Bem, em alguns anos de vida, mas especificamente desde os 19 anos (há sete anos atrás) eu comecei a perceber esse tipo de atitude ao meu redor. Se chorava por conta de um coração partido, vinha alguém, sabe se lá de onde, para dizer que era bobagem e que eu ia superar. Essa pessoa não se importava com minha dor, apenas olhava para o fato de que parecia uma boba chorando por um cara que não prestava.

Outros momentos, esses com problemas de saúde (os mais comuns era crises alérgicas que duravam meses, me tirando fome, sono e qualidade de vida), fui obrigada a ouvir que era apenas manha. Eu só queria chamar a atenção. A raiva era tanta que não conseguia falar, acabava chorando e, ao chorar, desencadeava um ciclo de espirros, tosse, dor de cabeça e até vômito. Os comentários me ajudava? Com certeza não.

O que me ajudou, então? Pessoas que passaram pelas mesmas situações (emocionais e físicas). Dessas pessoas recebi abraços silenciosos, oração e uma simples frase "entendo você. Passei por isso, sei como é difícil acreditar que ele não presta, mas você consegue, por agora dói, mas com o tempo você vai ver." Ou, "Calma, se chorar vai entupir o nariz. Quer que eu te leve a um médico, pode ser que ele te ajude?!".

Não são palavras vazias que concertam corações feridos. São pingos de amor, humildade e respeito que podem concertar uma vida. Palavras sem sentimentos apenas destroem corações.

OBSO texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

2 comentários:

Fran Borges disse...

Oi Flor, fiquei emocionada com seu texto e de fato as coisas ocorrem assim. Eu tive asma quando criança, e ainda que não considerassem manha muitas coisas foram bem difíceis e ninguém podia compreender.

Beijos

http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

Mary disse...

Amiga poetiza,boa tarde,vim te avisar que pode mandar os poemas ou poesias até o dia 04 de Março conforme postado.beijinhos carinhosos.