segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Pequenos passos

Pequenos passinhos percorriam silenciosamente o assoalho de madeira. Corriam com alguma urgência que aquela idade não deveria conhecer.... tap tap tap... era o som dos pézinhos apressados, correndo, quase tropeçando em si mesmos. Percorriam o corredor sob a luz tênue do luar que atravessava a vidraça das grandes janelas e que davam um tom bucólico e até assustador para o local. Mas aqueles pequenos passos estavam resolutos. 

Quando se aproximou de um clarão que iluminava o corredor, começou a andar nas pontas dos pés... como se os adultos ali dentro não pudessem saber de sua presença. Segurando pela longa orelha de um imenso coelho de pelucia, sentia cada vez mais a uregência de chegar. Soltou o ar que prendia sem nem ter notado. Ficou na pontinha de seus minúsculos pés na tentativa de alcançar a imensa maçaneta, tão firme e resoluta lá no alto. 

Os dedinhos rechonchudos lutavam para alcançar aquele vil objeto que o separava do seu objetivo. Não pensou duas vezes, sacrificou o coelho ao jogá-lo no chão e usar seu corpo macio e peludo como degrau. 

Alcançou a maçaneta e girou-a. Lá dentro, via um quarto escuro, iluminado apenas pela luz do luar, o mesmo que iluminava o corredor. No centro do quarto um berço e dentro dele, um pequeno bebê resmungava...choramingava. voltou, buscou o coelho, limpou-o de toda poeira com todo cuidado que seus quatro aninhos permitiam e escalou. Escalou resoluto as grades do perço, segurando em uma mão o coelho Bennie e usando a outra para erguer seu corpinho rechonchudo. 

Ao chegar no topo, olhou para o bebê que resmungava e gemia e falou, em sua pequena voz, tropeçando nas palavras que ainda aprendia: 

- Pronto Lucia, o mano trouxe Bennie pra cuidar de você. Tudo vai ficar bem! 

Permaneceu no quarto até que Lucia silenciasse e dormisse. Desceu do berço e deixou a porta entre aberta, era a forma mais fácil de ouvir se sua irmã precisasse dele. Caminhou de volta, com um sorriso vitorioso no rosto, e se deitou em sua caminha. Podia dormir agora que tinha combatido o monstro que pertubava sua irmã.

OBS: O texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

2 comentários:

Fran Borges disse...

Oi Kamila, gostei muito do conto. Fiquei comovida com o "herói" de quatro aninhos. Parabéns pelo conto e pelo blog. Retribuindo sua visita e já estou seguindo também. Beijos e sucesso.

http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

Léia Naveca disse...

lindo mana obrigada