quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Um pequeno conto! (Parte XV)

“ – Caspian, está na hora. Chega de apresentações e destas conversações sem fundamento. Vamos ao que interessa. Espero que tenha lido com atenção a carta que lhe enviei.”, falou Arãn com certa malícia no olhar.



Caspian pensa por um momento e antes de responder, despensa os súditos, agradecendo a todas pela apresentação. Os servos e escravos também são dispensados, bem como as esposas de Arãn. Ficam na presença dos reis você Suzana, o conselheiro de Guerra calormano, Azogie e os conselheiros de Caspian: Dr. Cornélio, alto Magistrado de Nárnia, Lorde Drinian, Capitão do Peregrino da alvorada e Cavaleiro de Armas de Nárnia, e o General Duran. Nenhum animal falante está na sala para ouvir a conversa.

“ – Muito Bem, Arãn, já que você insiste, vamos terminar logo com isto. Li com todo cuidado o que o documento exigia e refleti por muito tempo...”

Mas antes que Caspian pudesse continuar. Arãn o interrompe com olhar indagador e voz ríspida:

“ – Desculpe interromper Rei Caspian, mas as mulheres assistirão a essa conversa? Por que vossa majestade não sugere que elas acompanhem minhas esposas e participem de conversas mais amenas, mais ao alcance de mentes femininas. Guerra com certeza não é um assunto que deva interessar um mulher, por mais bela e corajosa que ela seja!”, afirmou o rei com ironia.

Caspian responde, tentando não se irritar com a intromissão de Arãn, nem entrar em seu joguinho sujo e baixo de ofender a você e à Suzana. No olhar de Suzana, você observa uma nuvem de cólera crescendo. A Rainha Gentil não gostou da intromissão, mas também não se manifestou. Você permanece apenas observando, é claro que se ofendeu, afinal aquele rei acabou de chamá-la de incapaz.

“ – Perdão, Rei Arãn, talvez não tenha me feito entender. Estas mulheres são rainha e princesa e tomam parte de decisões a respeito de Nárnia, pois também cabe a elas a segurança deste povo!”

Arãn observa Caspian com olhos semiserrados e sorri.

“ – Muito bem, se cabe a elas a proteção de Nárnia, que assim seja. Ou você me dá o aval de que preciso ou nada feito. Estou cansado de seu desrespeito para comigo. Primeiro me repreende pelo tratamento que dou aos escravos, como se esses fossem dignos de pena ou honrarias, ou melhor como se fossem homens quando na realidade não passam de cães. Depois me iguala a eles ao oferecer-lhes a comida que me alimenta. E agora quer que discuta questões de estado com mulheres, como se elas fossem dignas de participar da conversa de homens! Me desculpe Rei Caspian, mas se algum dia respeitei um rei de Nárnia, este com certeza não foi você!”

Perplexo com a quantidade de insultos e acusações, Caspian permanece por um momento sentado, olhando para Arãn como se não tivesse compreendido o real sentido de suas palavras. Mas então, com um gesto de mão do rei de Nárnia, um rapaz que permanecera escondido sai da sala, e o Rei Caspian X, o Navegador, se levanta.

Há fúria no olhar de Caspian. Suas mãos estão fechadas em punhos e os nós de seus dedos estão brancos de tanta força que o rei faz para não perder o controle. Com uma voz fria e áspera, Caspian responde:

“ – Pois bem, que assim seja. Eu lhe ofereci o melhor da hospitalidade narniana. Abri os portões de meu território para você. Recebi suas esposas como se a poligamia fosse a coisa mais natural para Nárnia. Fechei os olhos para as barbaridades cometidas contra os escravos e o que você fez, calormano? Insultou uma das antigas rainhas de Nárnia. Ofendeu minha princesa e noiva. Desprezou os presentes do povo e ainda se comporta como se nada importasse. Se é guerra que você sempre quis, teria sido mais digno que seu mensageiro trouxesse uma aviso guerra declarada ou de invasão do que um acordo fictício entre os comércios de nossos territórios. Ou você realmente pensou que eu aceitaria que seus capangas transportassem escravos pelas terras de Nárnia? Por quem me toma? Se é guerra que quer, saia por essa porta e nos veremos em um capo de batalha!”

As gargalhadas, Arãn acena para Azogie que se retira da sala e você sabe que o conselheiro de guerra calormano ordenará as tropas que se preparem.

A guerra foi declarada e Arãn acredita que vencerá.

“ – Não esperava menos do que essa reação de vossa majestade. Se você tivesse aceitado a proposta de comércio, Caspian, eu saberia que nem valeria pena declarar guerra contra um rei medroso que abre seu território a sombra da primeira ameaça que recebe. Não há honra em conquistar um rei como esse: bastaria apenas que entrasse com minhas tropas e se ajoelharia com o rabo entre as pernas diante de mim. Mas você... quem sabe não o estou subestimando e talvez você realmente seja um inimigo a altura.”

Arãn se levanta e se põe diante de Caspian. Os dois reis se encaram e você imagina a explosão de uma ogiva nuclear quando esses dois reis se enfrentarem em campo de batalha. Uma brisa suave sopra dentro da sala. É um aviso das dríades dizendo que os narnianos estão se agrupando para pegar em armas.


“ – Você tem apenas uma chance de paz, Caspian. Eu quero que você submeta a sua coroa a mim. Você continuará sendo rei, mas se dirigirá a mim seja qual for a decisão a cerca de Nárnia. As leis narnianas cairão e serão instituídas as leis calormanas. Os animais falantes, se é que de fato existem, serão caçados e as mulheres se submeterão aos homens e usarão véus, não participarão mais de qualquer evento que tenha presença masculina. Mostre que você tem um pouco de juízo e não exponha seu povo as agruras de uma guerra!”

“ – Saia da minha casa. Retire sua corte imediatamente de minhas terras. E Arãn, não me tome por tolo. Eu jamais submeterei Nárnia a escravidão por medo. Saiba que você só se assentará neste trono após minha morte e se Aslan permitir! Saiba que o próprio Leão me nomeou rei de Nárnia e que me submeto somente ao Grande Rei Pedro e a Aslan! Vá embora!”

“ – Você confia demais nesse Aslan. Veremos se ele o protegerá de minha espada e saiba mais: veremos se ele protegerá suas reais mulheres de meu poder. Acho até que farei de sua princesa uma bela concubina!”

Tomado pela raiva, Caspian perde o controle e esmurra o rosto do calormano, que cai de costas se contorcendo no chão com o nariz quebrado.

“ – Saiba que nunca Nárnia se rendeu! E nunca você encostará um dedo nessas mulheres sem passar por cima de meu cadáver! Saia da minha casa. Saia de Nárnia se quiser viver. Saia de Nárnia se não quiser ver a fúria do Grande Leão cair sobre você!”

Se levantando como se nada tivesse acontecido, Arãn continua rindo.

“ – Sua fé no gatinho o matará. Aliás, eu o matarei! Nos encontramos no campo de batalha, Caspian. E quanto a vocês mulheres, eu as encontro nos meus aposentos após a morte deste rei tolo”, agora foi sua vez de levantar e dar um tapa no rosto de Arãn. Suzana o olhou com azedume nos olhos e disse:

“ – Antes uma morte excruciante do que uma noite em sua tenda!”

Assim que Arãn desafiou o poder de Aslan, os céus ficaram mais negros do que já estavam e um terremoto atingiu a área do acampamento calormano. Parte do exército calormano pereceu em um tremor que provocou uma fenda na terra bem abaixo de onde estava o exército de Arãn!

Arãn se retirou do palácio e saiu a galope com sua guarda real deixando para trás um rastro azedo de raiva e rancor. O ar estava pesado e os sinos do castelo foram tocados. A guerra fora anunciada e o exercito telmarino está se preparando. Essa será uma noite longa de vigília.

Caspian está andando pela sala como um leão enjaulado. Agora ele precisa decidir qual será o primeiro passo, a primeira estratégia de guerra. Nárnia mais uma vez verá o sangue escorrer por seus campos.

OBS: O texto foi escrito por mim e é proibido seu uso ou cópia integral, ou de fragmentos, sem a autorização da autora. O mesmo vale para todo e qualquer conteúdo deste blog que seja de minha autoria. Sua cópia ou uso sem autorização é qualificado como plágio, sendo configurado como crime previsto no Código Penal. O infrator está sujeito as punições previstas no Art. 184 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40

Kamila Mendes

2 comentários:

Maria Machado: disse...

Olá querida Kamila Mendes! Hoje tou te visitando,eu adoro dar presentes,por isso estou te dando o selo "Versatile" pegue no meu blog,eu ganhei da poetisa Vilma Piva,e estou dividindo a munha alegria com você...Um abraço
Maria Machado

Maria Machado: disse...

Olá garota Kamila Mendes,tenho uma subrinha com mesmo nome no facebook,
eu fiquei feliz por sua visita e por me seguir...Obrigado,e parabéns por seu blog!
um abraço
Maria Machado