segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estilhaço, poeira e dor

E de novo a tristeza te alcança com seus dedos ossudos, tentando roubar os fios de felicidade que aos poucos estão sendo tecidos pelo tempo, pela rotina, por força de vontade. Então vem a apatia, o medo da rotina e você se pergunta quando isso vai acabar? 

E quando o sorriso volta. A vontade de viver reacende a chama do desejo por novidade e então, as lágrimas invadem como uma tsunami de dor seu coração, destruindo o delicado castelo de sonhos e auto confiança que você estava construindo com todo cuidado, com finas folhas de papel colorido. 

Então o vento frio das lágrimas invade seu peito e devasta tudo. E você tem vontade de gritar e gritar e gritar, porque simplesmente não aguenta mais chorar. Mas gritar pra quem? Por que? 

A vontade de lutar por si mesmo se foi, hoje. Se amanhã ela reaparecer, erga as mãos e agradeça. Foi apenas um momento. Mas se o desistir permanecer, o que fazer quando se achava que grandes passos já haviam sido dados? 

Você já se sentiu tão triste a ponto de ver a si mesmo escondido num canto chorando. E quando você vê todas as tentativas de melhora escorrendo por seus olhos, enregelando seus ossos, provocando tremores por todo o corpo? 

E a mão gelada da dor inexplicável de não aceitar ser quem você é, de não aceitar ser fraca como é, envolve seu estomago até que toda frustração saia garganta a fora, como explicar isso a alguém? 

Como explicar que você quer, apenas por um dia, saber como é não ser você. Não ter que temer a si mesma. 

Um desequilíbrio momentâneo te derruba. Esmaga aquilo que você achou estar superando e a dor do fracasso te assola e você pensa, gosta de pensar, que um dia vai se erguer do chão, sorrindo e dizendo que tudo isso acabou. Que agora quem manda é você. 

Mas quando esse momento vai chegar? Quando as garras geladas da tristeza vão te deixar em paz. Porque, por mais que você grite, chore, corra, ela não vai embora. E a vertigem de ser você mesma não permite que levante da cama sem tropeçar nos próprios pés, nos próprios sonhos. 

E você se esconde, porque não quer que ninguém veja sua recaída. Que ninguém saiba que você deu dez passos pra trás quando tinha dado apenas adiante. É como se tudo conspirasse pra te deixar pra baixo. 

E você se sente estilhaçada por dentro como vidro, como vaso de barro quebrado e apenas tivessem recolocado seus cacos no luga e qualquer movimento suave te desmontasse de novo. Como papel molhado, que ao toque se desfaz, assim é você hoje. 

Feita de papel, barro e vidro. Isso poderia construir um prédio, mas hoje é apenas estilhaço, poeira e pedaços recortados, rasgados, espalhados pelo chão. Hoje você está no chão, com lágrimas nos olhos e as garras geladas no seu coração, mas só por hoje, ok?! Só por hoje.



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Kamila Mendes

2 comentários:

Fran Borges disse...

Oi Kamila, muito triste, mas lindo o texto. E quantas vezes nos sentimos mesmo estilhaçados e que bom que não dura para sempre.

Beijos e parabéns.

http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

Dri disse...

E a mão gelada da dor inexplicável de não aceitar ser quem você é, de não aceitar ser fraca como é, envolve seu estomago até que toda frustração saia garganta a fora, como explicar isso a alguém? não se explica kami, mas se compreende, eu compreendo ^^ E é só pór hj amanhã desparece...