segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Terreno das emoções

É um terreno estranho e delicado. Quanto mais se anda, mais se corre o risco de cair. E quanto mais caminha nele, mais longe fica de chegar a algum lugar. Parece gelo fino, não se sabe onde pisar e qualquer passo mais firme pode fazer o gelo quebrar e a pessoa despenca em queda livro rumo a água veloz e gelada.

Mas se parece muito mais com areia movediça. O gelo tem uma estação certa pra aparecer, a areia não.

Pode se caminhar por um vale e cair nela. Andar no deserto e simplesmente ser tragado por ela e quanto mais se mexe, mais fundo se vai.

Assim é o terreno das emoções, escreve no diário. Há dias de terreno firme e dias de areia movediça. Hoje é um dia de areia movediça. Começa-se a andar e de repente está atolada até a cintura por pensamentos ruins, sentimentos estranhos, vontade de gritar, correr, fugir dali. Mas quanto mais se luta, mais fundo se vai.


As tentativas de fuga parecem aumentar a fome da areia, ela sobe por seus membros a cada gesto desesperado. engole seu corpo até que sobre somente o pescoço de fora . Se não aparecer um ser caridoso, você é tragada por ela.


Parou para pensar se era essa a analogia certa, mas não encontrou nenhuma outra que validasse suas emoções. Se sentia traída, ultrajada por uma pessoa em quem depositou toda confiança. 

Sabia no fundo que ela não fizera por mal, mas se sentia traída por sua amiga. Negligenciada no que lhe era mais fraco. Queria confrontar, bater de frente, mas não sabia como. Tinha medo de fazer...


Quanto mais me movo, mais fundo desço. Estou cavando minha própria cova de sentimentos e choro. Mas o medo é o pior: medo de ser tragada, de não conseguir pensar em uma saída. Medo de morrer só!

Estava cansada e a decisão do que deveria fazer nunca chegava. Sentia-se mesmo afundando em areia movediça. Nem o desabafo no diário era suficiente pra desafogar seu peito. Nenhuma barra de chocolate ajudaria. Não sabia o que fazer a não ser pensar e pensar e chorar até o desanimo dominar e o sono se impor soberano empurrando-a para a penumbra dos sonhos.

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Kamila Mendes

1 comentários:

Jaqueline Simionato disse...

Olá, eu amei seu texto, as vezes me sinto assim também, afundando em areia movediça, e com medo de me mexer, e afundar mais.

Beijos
http://misteriodaspaginas.blogspot.com.br/